Diálogos luso-brasileiros no Acervo José Moças da Universidade de Aveiro: um estudo exploratório das gravações mecânicas (1902-1927)

Pedro Aragão

Resumo


Este artigo apresenta resultados parciais de uma pesquisa de pós-doutorado com foco em diálogos musicais entre Brasil e Portugal no Acervo José Moças da Universidade de Aveiro. Composto por cerca de 6 mil discos em formato 78 rpm, este acervo é considerado um dos mais importantes de Portugal e encontra-se atualmente em fase de catalogação e digitalização na referida universidade. O artigo apresenta um estudo exploratório das gravações mecânicas que refletem fluxos e trocas sonoras entre os dois países, com foco em “gêneros nacionais” – tais como o fado e o maxixe – gravados em Lisboa e no Rio de Janeiro por intérpretes que integravam um sistema de entretenimento comum (formado por teatro de revista, indústria fonográfica e partituras) aos dois países. Tendo por base os conceitos de “Atlântico Negro” tal como proposto por Gilroy (2001) e de “ecologia de saberes musicais do Atlântico Sul” proposto por Sardo (2013), pretendo trazer contributos ao entendimento destes intérpretes e destes fonogramas para a construção de um imaginário sonoro comum entre Brasil e Portugal.

Palavras-chave


Gravações mecânicas. Música popular brasileira. Música popular portuguesa. Diálogos luso-brasileiros.

Texto completo:

PDF

Referências


ANDRADE, Mário de. Dicionário musical brasileiro. Coordenação de Oneyda Alvarenga e Flávia Toni. Belo Horizonte: Itatiaia; Brasília: Ministério da Cultura; São Paulo: IEB‐USP/ Edusp, 1989. Coleção reconquista do Brasil, 2, série. v. 162.

ARAGÃO, Pedro. O acervo Pixinguinha no Instituto Moreira Salles. In: PAES LEME, Bia (Org.). Pixinguinha na pauta: 36 arranjos para o programa “O Pessoal da Velha Guarda”. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010. p. 32-40.

BRADY, Erica. A Spiral Way: How the Phonograph Changed Ethnography. Jackson: Univ. PressMiss, 1999.

BRISSOS, Ana Cristina. Museu Nacional do Teatro & RDP, Arquivos Sonoros. In: CASTELO-BRANCO, S. (Org.). Enciclopédia da música em Portugal no século XX. Lisboa: Círculo de Leitores, 2010. p. 61-62.

CASTELO-BRANCO, S. (Org.). Enciclopédia da música em Portugal no século XX. Lisboa: Círculo de Leitores, 2010.

CIDRA, Rui; TILLY, António; MOREIRA, Pedro. Música do Brasil em Portugal. In: CASTELO-BRANCO, S. (Org.). Enciclopédia da música em Portugal no século XX. Lisboa: Círculo de Leitores, 2010. p. 173-181.

CORREIO DA MANHÃ. Theatro Recreio. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 24 jan. 1910. Disponível na Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em . Acesso em: ago. 2016

COTRELL, Stephen. Ethnomusicology and the Music Industries: An Overview. Ethnomusicology Forum, v. 9, n.1, p. 3-25, 2010.

DIAS, Alexandre. Os maxixes no exterior: o caso de “La mattchiche”. Disponível em: . Acesso em: 8 ago. 2016.

DIAS, Márcia Tosta. Os donos da voz. Indústria fonográfica brasileira e mundialização da cultura. 2. ed. São Paulo: Boitempo Editorial, 2008.

EFEGÊ, Jota. Figuras e coisas da música popular brasileira. 2ª ed. Rio de Janeiro: Funarte, 2007.

ERLMANN, Veit. The Aesthetics of the Global Imagination: Reflections on World Music in the 1990s. Public Culture, v. 8, n. 3, p. 467-489, 1996.

FRANCESCHI, Humberto. A Casa Edison e seu tempo. Rio de Janeiro: Sarapuí, 2002.

GILROY, Paul. O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência. São Paulo: Ed. 34; Rio de Janeiro: Universidade Cândido Mendes, Centro de estudos Afro-Asiáticos, 2001.

GONÇALVES, Carolina Koshiba. Música em 78 rotações: discos a todos os preços na São Paulo dos anos 1930. São Paulo: Editorial Alameda, 2013.

GRONOW, Pekka. The Record Industry: The Growth of a Mass Medium. Popular Music, n.3, p. 53–75, 1983.

KATZ, Mark. Capturing Sound: How Technology Has Changed Music. Berkely and Los Angeles: University of California Press, 2005.

LOSA, Leonor. Machinas falantes: a música gravada em Portugal no início do século XX. Lisboa: Tinta da China, 2014.

LOPES, Antonio Herculano. Vem cá mulata. Revista Tempo. Rio de Janeiro, v. 13, n. 26, p. 80-100, 2008.

LOPES, Rui Cabral. Música Gravada. In: CASTELO-BRANCO, S. (Org.). Enciclopédia da música em Portugal no século XX. Lisboa: Círculo de Leitores, 2010. p. 50-51.

LUCAS, Maria Elizabeth; NERY, Rui Vieira (Org). As músicas luso-brasileiras do final do Antigo Regime: repertórios, práticas e representações. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2012.

MALM, Kristen. The Music Industry. In: MYERS, H. (Org). Ethnomusicology: An Introduction. London: Macmillan, 1992. p. 349-364.

MENEZES BASTOS, Rafael de. O fado como integrante do sistema de transformações lundu-modinha-fado: notas para um modelo histórico-antropológico das relações musicais Brasil/Portugal/África. In: VALENTE, H. (Org). Trago o fado nos sentidos: cantares de um imaginário atlântico. São Paulo: Letra e Voz, 2013. p. 18-32.

NAPOLITANO, Marcos; WASSERMAN, Maria Clara. Desde que o samba é samba: a questão das origens no debate historiográfico sobre a música popular brasileira. Revista brasileira de história. São Paulo, v. 20, n. 19, p. 167-189, 2000.

NUNES, António Manuel. Rememoração do esquecido serenateiro António de Almeida Cruz (1879-1951). Disponível em: . Acesso em: 10 ago. 2016.

O PAÍS. Artes e artistas. O País, Rio de Janeiro, 1905. Disponível na Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em . Acesso em ago. 2016.

OCHOA, Ana Maria. Musicas locales en tiempos de globalización. Buenos Aires: Grupo Editorial Norma, 2003.

PESTANA, Maria do Rosário. O fado: destinos e oportunidades do ‘ser português’. Um estudo sobre fado e emigração. In: VALENTE, H. (Org.). Trago o fado nos sentidos: cantares de um imaginário atlântico. São Paulo: Letra e Voz, 2013. p. 66-87.

______. A música popular, a imprensa e os discos: mobilização política, crítica social e comicidade nos primeiros anos do século XX. No prelo.

PORTUGAL DA SILVA. Carta de Lisboa. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 5 jan. 1903. Disponível na Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em . Acesso em: ago. 2016.

REBELLO, Luís Francisco. História do teatro de revista em Portugal. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1984.

REVISTA BRASIL-PORTUGAL. Colyseu dos Recreios: Geraldos e Palácios. Revista Brasil-Portugal, Lisboa, n. 229, 1º ago. 1908. Disponível na Hemeroteca Digital Portuguesa, em . Acesso em: 15 jul. 2016.

SANTOS, Alcindo et al. Discografia brasileira em 78 rpm: 1902-1964. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1982.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. Revista Crítica de Ciências Sociais, v. 7, p. 3-46, out. 2007.

SANTOS, Luana. A Casa Eléctrica e as primeiras gravações fonográficas no sul do Brasil. Dissertação (Mestrado em Música), Instituto de Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.

SARDO, Susana. Música e conciliação. Contributos para uma ecologia dos saberes a partir das viagens da música no Atlântico Sul. O caso das relações Portugal-Brasil In: VALENTE, H. (Org.). Trago o fado nos sentidos: cantares de um imaginário atlântico. São Paulo: Letra e Voz, 2013. p. 44-64.

____________. Música popular e diferenças regionais. In: LAGES, Mário F.; MATOS, A. (Orgs.). Multiculturalidade: raízes e estruturas. Coleção Portugal Intercultural, v. I. Lisboa: Universidade Católica Portuguesa. 2009. p. 408-476.

SHELEMAY, Kay Kaufman. Recording Technology and Ethnomusicological Scholarship. In: NETTL, B.; BOHLMAN. P. (Org.). Comparative Musicology and Anthropology of Music. Chicago and London: The University of Chicago Press, 1991. p. 277-292.

SILVA, João Luís Meirelles Leitão da. Music, Theatre and the Nation: The Entertainment Market in Lisbon (1865–1908). Tese (Doutorado em Música), Newcastle University, London, 2011.

SILVA, Manuel Deniz; PESTANA, Maria do Rosário. Indústrias de música e arquivos sonoros em Portugal no século XX: práticas, contextos, patrimônios. Cascais: Câmara Municipal de Cascais. No prelo.

SOUZA, David Pereira. Banda do Corpo de Bombeiros do RJ - gravações pioneiras. Tese (Doutorado em Música), Programa de Pós-Graduação em Música, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009.

TAYLOR, Timothy. Strange Sounds: Music, Technologies and Culture. New York-London: Routledge, 2001.

TINHORÃO, José Ramos. História social da música popular brasileira. São Paulo: Ed. 34, 1998.

TRAVASSOS, Elizabeth. Esboço de balanço da etnomusicologia no Brasil. Revista Opus, v. 9, p. 73-86, 2003.

______. Os mandarins milagrosos: arte e etnografia em Mário de Andrade e Béla Bártok. Rio de Janeiro: FUNARTE/Jorge Zahar, 1997

ULHÔA, Martha. Análise de música brasileira popular. Cadernos do Colóquio (UNIRIO). Rio de Janeiro, v. III, p.61-68, 1999.

______. Noite serena: estilo vocal em gravações mecânicas (1902-1912). Música Popular em Revista, v. 1, p. 6-32, 2013.




DOI: http://dx.doi.org/10.20504/opus2016b2204

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais



 
OPUS - Revista Eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música (ANPPOM)
ISSN 0103-7412 (versão impressa, 1989-2008), ISSN 1517-7017 (versão online, 2009- )