Análise da obra eletrônica Mutationen III de Cláudio Santoro

Denise Andrade de Freitas Martins

Resumo


Tendo em vista, na realidade da prática pedagógica das escolas de música - conservatórios -, um relativo distanciamento, possivelmente devido à falta de domínio em relação à grafia e gosto musicais, no que concerne à música eletrônica, é que surgiu o interesse do presente estudo, feito a partir da experiência perceptiva, usando-se, basicamente, a audição e a visão, da obra Mutationen III do compositor brasileiro Claudio Santoro (1919-1998).

Assim, dados composicionais emergiram diante da linguagem musical ouvida, vista em partitura, percebida e analisada. Constatou-se uma clara e evidente forma musical - forma ternária (ABA) -, o intervalo de 2a menor como um inciso gerador da obra, uma extrema habilidade por parte do compositor no que se refere à descoberta e manuseio de novos elementos sonoros, como baquetas de tímpano e moedas, além do uso de um piano e dois gravadores, dando clima e caráter à obra. Curiosa e interessante é a simbologia gráfica utilizada na notação em partitura, que apresenta perfeita analogia ao resultado sonoro obtido.

Concluiu-se que mesmo sendo a música eletrônica um repertório que oferece grandes dificuldades de execução, tratando-se principalmente de Conservatórios, nada impede seu estudo e apreciação por parte de professores e alunos de música; situação que se apresenta como um desafio a ser empreendido. 


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Referências


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Outros documentos consultados

CLAUDIO SANTORO. Entrevistado por José Maria Neves, 1975.

__________________. "Contando minha vida". __________________. "Na França".


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OPUS - Revista Eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música (ANPPOM)
ISSN 0103-7412 (versão impressa, 1989-2008), ISSN 1517-7017 (versão online, 2009- )