(1) Vale ressaltar que ao falar em paisagem sonora, estamos nos referindo ao termo "soundscape", criado pelo compositor canadense Schafer, como analogia a "landscape" e que diz respeito a qualquer ambiente sonoro. Neste estudo, o ambiente ambiente sonoro ao qual nos referimos, é o nosso cotidiano: os sons do dia-a-dia, os sons das ruas.

(2) Estamos chamando de ruído, tomando, neste momento, a definição dada por Wisnik, em seu livro O som e o sentido. O autor diz ser o ruído um som formado por feixes de defasagens "arrítmicas" e instáveis, e que, sob a ótica da teoria da infomação, é um som que, ao provocar uma "desordenação interferente", torna-se "um elemento virtualmente criativo, desorganizador de mensagens/códigos cristalizados, e provocador de novas linguagens". WISNIK, José Miguel. O som e o sentido. São Paulo: Cia das Letras, 1989. p. 29-30.

(3) Ibidem, p. 42.

(4) RUSSOLO, Luigi. The art of noises. London: Pendragon Press, 1983. p. 23.

(5) SCHAFER, Murray. O ouvido pensante. São Paulo: Unesp, 1991. p. 289.

(6) SCHAFER, Murray. O ouvido pensante. São Paulo: Edunesp, 1991. p. 120.

(7) CAGE, John. De segunda a um ano. São Paulo: Hucitec, 1985. p. 42.

(8) CHARLES, Daniel apud SHONO, Susumo. Une poïétique d’écoute. Revue D’Esthétique, Toulouse, n.13-14-15, p. 453, 1987, 1988.

(9) A idéia de "poiética de escuta" subentende, segundo o musicólogo Susumo Shono, um ato individual, que visa encontrar as qualidades únicas e insubstituíveis do som, as suas singularidades, não tendo nenhuma relação com o desejo de apreender o objeto pela análise. SHONO, Susumo. Une poïetique d’écoute. op. cit., p. 454.

(10) KOSTELANETZ, Richard. Conversing with Cage. New York: Omnibus Press, 1989. p. 212.

(11) LOPES, Rodrigo Garcia. Vozes e visões: panorama da arte e cultura norte-americanas hoje. São Paulo: Iluminuras, 1996. p. 101.

(12) Essa idéia aparece na obra de Cage em suas diversas facetas, ao imaginar um outro espaço tanto para o compositor, quanto para o intérprete e para o ouvinte.

(13) A idéia de "música flutuante", em contraposição a uma "música de funções", é apresentada por Mireille Buydens, em seu livro Sahara: l’ésthétique de Gilles Deleuze. Vale dizer que a posição da autora está apoiada em idéias do compositor francês Daniel Charles, que não apenas forja diversos conceitos deleuzeanos, em La musique et l’oubli, como também cruza tais conceitos com idéias composicionais de John Cage. Paris: J. Vrin, 1990. p. 146.

(14) Ibidem, p. 160.

(15) DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil platôs. São Paulo: ed. 34, 1997, v. 4, p. 15-16.

(16) Ao falar de tempo ou espaço liso e estriado, vale ressaltar que Deleuze está tomando para si os conceitos criados no campo musical pelo compositor Pierre Boulez, que distinguira dois espaços musicais: o estriado e o liso, que transpostos para o domínio do tempo resultavam respectivamente, na idéia de um tempo pulsado, implicando em estriagem métrica, e o tempo não pulsado, liso, caracterizado pela ausência de pulsação. Vale-se dessa idéia, acoplando liso e estriado em um bloco de devir e retirando-a do domínio da música. Ver DELEUZE, G.; GUATARRI, F. Mil platôs, v. 5, p. 184.

(17) Ibidem, p. 185.

(18) DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix. Mil platôs - capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Ed. 34, 1997. v.5, p. 50.

(19) Ibidem, p. 50.

(20) DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix. Mil platôs . op. cit., v. 5, p. 50-51.

(21) MILOVANOFF, Anny apud DELEUZE, p. 51.

(22) Ibidem, p. 51.

(23) O trabalho "Listen" foi um dos primeiros desenvolvidos por esse músico percussionista, a partir de sua preocupação estética em relação aos sons da rua. Propõe uma atitude inversa: ao invés de trazer esses sons para dentro das salas de concertos, leva a platéia para fora das salas, para apreciá-los "in loco", criando uma verdadeira interação com a vida diária. NEUHAUS, Max. Listen. In: LANDER, Dan; LEXIER, Micah (Eds). Sound by artists. Toronto: Art Metropole, 1990. p. 63-67.

(24) BUYDENS, Mireille. Sahara. op. cit., p. 149.