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A produção musical de Eduardo Bértola (1939-96)1
RESUMO: O artigo tem por objetivo traçar uma panorâmica da produção musical do compositor argentino Eduardo Bértola (1939 ? 1996). Sua linguagem musical é abordada sob os aspectos técnico e estético, ao lado de dados biográficos que fundamentam a divisão de sua obra em períodos cronológicos. Ao final há uma lista completa de suas obras instrumentais e eletroacústicas.ABSTRACT: An overview of the musical production of the Argentinean composer Eduardo Bértola (1939-1996). His musical language is approached under technical and esthetical points of view, along with biographical data that allows the division of his production in chronological periods. There is also a complete list of his instrumental and electroacoustic works.
INTRODUÇÃO
Eduardo Bértola, compositor argentino, nasceu em Coronel Moldes, na província de Córdoba, em 14 de julho de 1939. Nesse país realizou sua formação musical básica e iniciou sua carreira profissional. Entre 1968 e 1971 viveu em Paris, onde, além de aprofundar seus estudos musicais, desenvolveu intensa atividade criativa. A partir de 1975 Bértola passou a viver no Brasil, vindo a falecer em 20 de fevereiro de 1996, em Belo Horizonte, a mais importante cidade brasileira em sua vida profissional e afetiva. Caracterizam sua trajetória pessoal a tomada de opções éticas, estéticas e técnicas muito claras, um grande espírito de cooperação e estímulo a colegas e alunos, e uma constante negação à auto-promoção.
Desde os primeiros contatos com a obra musical de Eduardo Bértola, três características nos chamaram especialmente a atenção: o tratamento do tempo, o repertório sonoro e as motivações do compositor.
A experiência musical está intimamente ligada à percepção/vivência de um fluxo temporal, na qual o tempo cronológico é substituído por uma nova relação mediada pela escuta (e/ou outras formas de participação no processo musical). Todo compositor vislumbra e propõe um modo particular do ato de escutar, que está intrinsecamente ligado a essa experiência temporal. A música instrumental de Bértola (especificamente "Anjos Xifópagos", para duas flautas) foi a que primeiro nos chamou a atenção para este fato, por ser essencialmente não discursiva, de gestos lentos e exigir na interpretação sons e combinações de sons que se distanciam do repertório tradicional dos instrumentos.
Outra característica marcante de suas obras é a preocupação com a manufatura dos objetos sonoros utilizados, seja na música instrumental ou eletroacústica ? a precisão minuciosa de sua escrita demonstra a importância que ele conferia a cada nota a ser executada. Notamos que a força condutora de seu discurso musical se deriva da criação, manipulação e combinações desses objetos, abdicando de uma estruturação temporal a priori.
Por fim, o fato mais importante, e por isso mesmo o mais delicado de ser abordado, que são as motivações do compositor. Bértola deixa claro o substrato cultural que o motiva a compor: sua militância em favor de uma estética própria da América Latina, com uma visão crítica da "metrópole", muitas vezes explícita já em seus títulos ("La Visión de los Vencidos", "Trópicos", "Cantos a Ho", "Gomecito contra la Siemens ou El Diablo de San Agustín"), sua ligação com a literatura (Yeats, Guimarães Rosa, Sérgio Sant’anna, Ho Chi-Minh) e também princípios existenciais de ordem mais geral ("De Sonhos e Quedas", "Retornos do Tempo", "Rituais do Imaginário").
Para dar uma visão panorâmica desse
conjunto de obras, consideramos que o procedimento mais adequado é
a divisão em períodos cronológicos ? que nesse caso
são muito bem definidos por razões geográficas, já
que o compositor viveu em diferentes países durante a sua formação
e atuação profissional. Considerações sucintas
sobre a produção de cada período ? uma análise
mais detalhada nos afastaria dos objetivos desse artigo ? serão
acompanhados por fatos biográficos relevantes. Indicaremos, sempre
que possível, fios condutores que perpassam diferentes períodos,
como é o caso da predileção do compositor por duos
para instrumentos iguais ou semelhantes, que aparecem em várias
de suas fases de composição, incluindo-se a primeira e a
última.
PERÍODOS CRONOLÓGICOS
Período inicial (até 1968)
Bértola iniciou seus estudos musicais na cidade de Córdoba, na Argentina. Nessa mesma cidade, trabalhou com regência de corais em 1960. Em 1961, freqüentou cursos de composição com Erwin Leuchter em Buenos Aires. Mais tarde, em 1963, tornou-se diretor da Escola Superior de Música da cidade de Resistencia, Província do Chaco, onde viveu até 1968. Consideramos que sua primeira fase como compositor se inicia nessa cidade, a partir de 1966, com a composição de uma obra para piano solo ("Las Doradas Manzanas del Sol"), um duo para pianos ("Usher-II-2005"), uma obra para conjunto de câmara e vozes femininas ("Procne") e uma obra para coro misto ("Variantes Alpha-Omega")2.
Nessa produção de Resistencia, já podemos encontrar ? e nem sempre de forma incipiente - características de seu estilo musical maduro. De maneira geral, notamos que o discurso musical já é conduzido pelo desenvolvimento e combinações dos materiais sonoros criados para cada obra.
Usando a terminologia criada por P. Schaeffer em seu "Traité des objets musicaux" [1966, Paris, Seuil], podemos dizer que esses materiais são construídos a partir dos quatro critérios morfológicos ali definidos - de matéria sonora, de formas dinâmicas, de sustentação (granulação) e de variação -, sendo melhor compreendidos como "objetos sonoros" do que como relações abstratas entre alturas, durações e intensidades expressas por diferentes timbres.
Na dimensão horizontal desse discurso,
encontramos a utilização de linhas de longa duração,
através de trinados, tremolos (inclusive entre acordes), ostinatos,
notas pivot (em uma mesma ou em diferentes oitavas) e mesmo notas lisas.
Encontramos essas notas lisas escritas sem a preocupação
com a não interrupção do som pelo instrumentista ou
cantor ? não há uso de soldaduras entre diferentes executantes
para prolongamento de uma mesma nota ? recurso que viria a adotar posteriormente.
Estas linhas normalmente apresentam variações de andamento,
registro, densidade e/ou dinâmica. A escrita mistura caracteres tradicionais
tanto para alturas quanto para durações com notação
proporcional para as durações. Vale também mencionar
figuras de curta duração repetidas ? notas simples ou blocos
-, que funcionam como elemento contrastante às linhas. Podemos ver
esses "pontos" e "linhas" no exemplo musical 1.
Exemplo Musical 1: primeiro sistema da página
7 de "Usher-II-2005". A escrita tradicional parece sugerir uma interpretação
proporcional.
Destaca-se o ostinato com a nota pivot mi em
diferentes oitavas, em contraponto com uma linha de trinados.
Na dimensão vertical encontramos um "contraponto de estratos sonoros" ? terminologia usada pelo próprio compositor - , no qual diferentes grupos de instrumentos realizam diferentes funções no discurso musical. Há uma intensa utilização da textura "fundo-formas", na qual os elementos de fundo ? as linhas de longa duração já mencionadas ? se caracterizam pela continuidade e regularidade, e as "formas" são gestos de curta duração que se destacam desse fundo. Não caracterizamos esse "fundo" como "acompanhamento" não só por sua elaboração cuidadosa, mas também por não se subordinar aos demais gestos. Há uma clara preferência pelos intervalos de segundas, sétimas e quarta aumentada, seja dentro de cada estrato ou entre diferentes estratos.
O uso de movimento paralelo entre diferentes linhas
? largamente utilizado em seu último período ? já
é encontrado em "Procne"3
e "Usher-II-2005", podendo ainda assumir nessas obras um caráter
heterofônico, como no exemplo a seguir:
Exemplo Musical 2: Um dos três estratos
da página 7 de "Procne": um cluster movimentado de 4 violas.
Violas 2 e 3 estão em paralelismo estrito,
enquanto 1 e 4 tocam homoritmicamente, gerando um estrato de caráter
heterofônico.
Período Paris (1968 ? 1971)
De 1968 a 1971 Bértola viveu em Paris, cidade onde havia passado uma curta temporada no ano anterior. Lá freqüentou os cursos de ‘Música eletroacústica fundamental e aplicada ao audiovisual’ do GRM - Groupe de Recherches Musicales, na época ligado à ORTF - sob orientação de Pierre Schaeffer e sua equipe docente, entre 68 e 70. Estudou também acústica musical na Faculdade de Ciências de Paris, com E. Leipp, em 70/71. Em 1970, participou do Curso de Verão de Darmstadt. Foi membro fundador, em 1969, do GIMEP (Groupe International de Musique Electroacoustique de Paris), que se preocupava com a difusão coletiva das obras de seus membros4 e aspirava a um intercâmbio de música eletroacústica entre Europa e América Latina. Com esse grupo, realizou diversos concertos em vários países da Europa.
Fez trilhas sonoras para as peças teatrais "Le Pietón", de Ray Bradbury e "L’ordre regne à Berlin", de Franz Wolf, apresentadas na Bienal de Paris de 1969; e também para "Dèlire à deux" e "Jacques ou la Soumission", de Ionesco, representadas em Niza, em 1970, das quais não temos nenhum registro sonoro ou partituras.
Em 1969, a Orquestra de Câmara "Ars Nova" de Paris, sob a direção de Marius Constant, lhe encomendou uma obra para dezessete instrumentos ? provavelmente "Signals"5. Essa obra, escrita originalmente em notação tradicional, foi revista em 1975, em Buenos Aires, com modificações importantes na instrumentação, no tipo de notação (que passa a ser proporcional) e em sua estrutura.
Sua produção nessa fase é em grande parte de obras eletroacústicas, incluindo "Episode", "Rouges" ? para fita magnética e luzes, "Penetraciones", "Pexoa", "Dynamus" e "Penetraciones II". Estas obras eram compostas aproveitando materiais trabalhados no estúdio do GRM e finalizadas em estúdio próprio.
Depois da estréia de "Rouges", Bértola constatou que as luzes condicionavam muito a audição, e decidiu suprimi-las. Como em seguida passou a trabalhar em uma série de obras eletroacústicas nomeada "Penetraciones", na qual pretendia usar sons em sua forma mais pura (sem filtros ou reverberação), "Rouges" passa a ser "Penetraciones I"6.
"Penetraciones" (1969) usa sons eletrônicos minimamente trabalhados: longos gestos realizados por objetos sonoros complexos, que se mantêm basicamente em uma mesma faixa do espectro sonoro, apresentando pequena movimentação interna devido a glissandos, batimentos e outros tipos de interferências. A potência sonora é muito intensa.
Acerca de "Dynamus", que mistura sons eletrônicos e sons gravados, assim comenta Coriún Aharonián:
"El planteo de la limitación voluntaria de recursos técnicos como parte de uma actitud tercermundista es realizado también, desde hace varios años, por Eduardo Bértola. Este compositor argentino realizó su ‘Dynamus’ em 1970 estando em París, trabajando casi exclusivamente com dos grabadores Revox, complementados sólo ocasionalmente por alguna manipulación básica en laboratorio. Bértola dice acerca de la intención formal de la obra: ‘En ‘Dynamus’ trato de oponer momentos dinámicos a momentos estáticos organizados en relación a proporciones ‘móvil-estático’. La evolución de la mayor parte de los momentos dinámicos pertenece al orden de lo reiterativo. La continuidad sin pausa desempeña aquí um papel esencial, pues se trata de evitar toda sensación de atmósfera.’ Es interessante observar cómo Bértola consigue, a través de ese tratamiento de materia dinámica que se hace estática, um momento de sensación de detención del tiempo."7
Apesar da partitura da obra de câmara "Hertz"
não estar datada, acreditamos que ela também pertença
a esta fase Paris. Em "Signals" e "Hertz", além da exploração
do contraponto de estratos sonoros e de uma escrita cuidadosa dos ataques,
sustentação e extinção das notas longas, características
já existentes no período anterior, notamos também
que nessa fase as durações escritas para as notas longas
são adequadas a uma execução instrumental sem interrupção
da continuidade do sons.
Período Buenos Aires (1971 ? 1975)
De volta à Argentina, Eduardo Bértola se instala primeiramente em Resistencia, Província do Chaco, trabalhando junto à Universidad del Nordeste. Em 1972 passa a viver em Buenos Aires, lecionando no curso de Musicoterapia da Universidad del Salvador, e atuando como professor particular. Além disso, sua experiência como técnico na Radio Municipal será bastante significativa para sua atividade criativa posterior. Também em 1972 é selecionado por um júri internacional para representar a República Argentina no Festival da Sociedade Internacional de Música Contemporânea, realizado na Áustria, com a obra "Signals".
Foi ainda bolsista do CICMAT (Centro de Pesquisas em Comunicação de Massas, Arte e Tecnologia) de Buenos Aires, onde realizou estudos de Análise de Técnicas de Composição com Meios Eletroacústicos sob a orientação de Francisco Kröpfl. Em 1975, juntamente Graciela Paraskevaídis e Jorge Rapp, funda o Núcleo Música Nueva de Buenos Aires.
Logo após seu regresso à Argentina, ele declarou:
"Pienso que para ser compositor es necesario ante todo definirse como ser humano. Enfrentar la realidad sobre la base de uma posición politica claramente delimitada. Ser compositor em Latinoamerica es emprender una forma de lucha, pues es evidente que las condiciones no están dadas: hay que crearlas a partir de un cambio radical. (...) Me niego a seguir escribiendo para orquesta, quiero ser libre y no depender del régimen de directores y de la inmoralidad y la decadencia de las instituciones."8
Bértola participou como professor do I, II e IV Cursos Latino Americanos de Música Contemporânea, ocorridos em Cerro del Toro, Uruguai, em dezembro de 1971, dezembro de 1972 e janeiro de 1975, respectivamente. Atuou em cursos, seminários e oficinas, dentro dos temas acústica musical, técnicas eletroacústicas, composição e música contemporânea, compartilhando o trabalho com Conrado Silva, Fernando von Reichenbach, Dante Grela, Joaquín Orellana, dentre outros.
Sua produção é inteiramente eletroacústica nesse período, incluindo as obras "Elictros" e "Gomecito contra la Siemens ou El Diablo de San Agustín", esta última caracterizada por C. Aharonián como "expresiva, sombria, amenazante"9. A economia quanto a materiais e densidade de informação, que caracteriza as obras do período Paris, é mantida nessas duas obras; entretanto "El Diablo de San Agustín" apresenta, além do predomínio de forças estáticas, um uso intenso e expressivo do silêncio, que não está presente nas obras anteriores. Sons de origem eletrônica e sons gravados coexistem nessas obras, tratados mais uma vez com mínimas transformações.10
Fechando esse período, temos "Tramos",
para fita magnética, obra fundamental em sua produção.
Composta inteiramente por colagem de materiais radiofônicos e de
uma gravação de manifestação de rua, "Tramos"
apresenta uma perfeita integração entre intenção
/ material / forma / meio de expressão. Misturam-se aqui trechos
de programas de emissoras locais do período 1972 / 1974 - versando
sobre religião, esportes e alta cultura ? e de programas culturais
especiais enviados à América Latina por emissoras européias
e pela Divisão de Rádio das Nações Unidas.
A manipulação eletroacústica se reduz ao mínimo
? somente cortes secos ligando os trechos (‘tramos’) gravados -, potencializando
ao máximo o trabalho de montagem11.
Período Buenos Aires / Belo Horizonte (1975 ? 1978)
O marco para essa divisão de períodos composicionais é a participação de Bértola no 9o. Festival de Inverno da UFMG, em 1975, em Ouro Preto, onde compôs e estreou a obra "Trópicos" - para violino, flauta e clarineta ? dedicada ao violinista e compositor guatemalteco Joaquín Orellana. Nesse período, ele permanece inicialmente em Buenos Aires com várias vindas ao Brasil; depois a situação se inverte: passa a morar em Belo Horizonte, com freqüentes idas à Argentina.
Aqui encontramos o seu retorno à música instrumental e o início de uma estratégia a ser adotada até o fim de sua vida: o intenso trabalho junto a instrumentistas, antes e durante a escrita de obras, e também após a estréia das mesmas, em caso de revisões. A notação musical utilizada é inicialmente proporcional (com indicações precisas de alturas e modos de produção, mas permitindo flexibilidade na execução rítmica), que é depois substituída pela escrita tradicional na obra "La Visión de los Vencidos". Desse período em diante, torna-se evidente a opção do compositor por uma grande simplicidade na escrita, com o uso da notação tradicional, de figuras rítmicas simples, e com raras passagens que podem ser consideradas tecnicamente difíceis. Por outro lado, a estruturação de cada obra ? ‘montagem’ em suas palavras ? é trabalhada a exaustão.
Bértola participou como professor do V (Buenos Aires, janeiro de 1976) e do VII (São João del Rey, janeiro de 1978) Cursos Latino Americanos de Música Contemporânea. Nesse último curso, é bastante elucidativo o título do seminário que ele ministrou em cinco sessões: "A experiência eletroacústica na conformação e no enriquecimento da linguagem instrumental", pois já notamos uma tentativa de teorização de sua prática composicional do período.
É difícil precisar desde quando Bértola começa a explorar os sons diferenciais em sua escrita de obras instrumentais. Os sons diferenciais, em sua concepção, são aqueles gerados por dois sons senoidais de freqüência e intensidade altas. A diferença em Hertz entre esses dois sons representa a freqüência do som grave que é percebido adicionalmente. Como o som de uma flauta tocada no agudo é bastante semelhante a um som senoidal, esse efeito é explorado nessa obra. No caso de notas musicais escritas, é preferível pensar que essas notas são dois harmônicos vizinhos de um som fundamental. P. ex., uma segunda maior pode estar formada pelos harmônicos 7 ? 8, ou 8 ? 9, ou 9 ? 10, 10 - 11 etc. Com pequenas variações na afinação, se percebe uma oscilação entre essas diferentes fundamentais.
Em "Procne" (1966), "Signals" (1969) e "Hertz" (1970(?)) encontramos trechos tocados por flautas (às também em conjunto com clarinete e oboé) que geram esses sons, mas não sabemos se foram escritos intencionalmente. O que podemos afirmar é que em "Trópicos" e em obras posteriores temos um uso deliberado desses sons. "Anjos Xifópagos", inspirada por texto de Sérgio Sant’anna, apresenta longas linhas melódicas entrelaçadas, de evolução lenta, explorando bastante o registro mais grave dos instrumentos, intercaladas com intervenções em dinâmica fortíssimo no registro agudo e superagudo, que exploram sons diferenciais, como se pode observar no exemplo musical 3. A ausência do vibrato característico da flauta contribui bastante para a expressividade dessa obra.
Exemplo Musical 3 : último sistema da primeira
página de "Anjos Xifópagos".
Para exemplificar os sons diferenciais, tomamos
as notas tocadas em ff mi 5 e fa# 5, capazes de gerar um som grave que
pode oscilar entre fa# 2, mi 2, re2 e/ou dó 2.
A colaboração com flautistas prossegue na obra "La Visión de los Vencidos" (1978), para quatro flautas (seguida por outra versão para 4 flautas, contrabaixo e percussão). "La Visión de los Vencidos" foi inspirada pela obra homônima de Miguel León-Portilla, que compilou textos astecas sobre a conquista espanhola12.
As duas obras eletroacústicas desse período
? compostas em Buenos Aires, ao contrário das obras instrumentais,
compostas no Brasil - representam um prolongamento de "Tramos", e de sua
ligação com a Argentina: são colagens de materiais
de natureza radiofônica ou televisiva, que sempre utilizam a língua
espanhola. São elas "Historias para un movimiento imaginario" e
"Trovas, Crónicas e Epigramas", esta última concebida como
sete breves interlúdios a serem intercalados entre outras obras
de um concerto.
Período Brasília (1979 ? 1984)
A partir de 1979, Bértola passa a morar em Brasília, lecionando na Escola de Música de Brasília. Em janeiro de 1984, foi professor dos Cursos Latino-Americanos de Música Contemporânea, realizado em Tatuí, Brasil, onde lecionou, juntamente com por H.J. Koellreutter, Héctor Tosar e Julio Estrada, o seminário "Análise de música erudita do século XX".
A principal obra desse período é
"Os Sonhos", para orquestra, dedicada a Emilio Terraza. Além dessa
obra, compõe o "Duo dos Temperamentos e das Cores", para violino
e viola, "Um no Outro", para dois violoncelos, e realiza a revisão
de "Las Doradas Manzanas del Sol", para piano. Nessa revisão, ele
transforma não só a notação proporcional da
primeira versão em notação tradicional, mas também
realiza importantes mudanças estruturais na obra13.
Nas obras desse período, já encontramos a modalidade de paralelismo
que será explorado nas obras posteriores: sempre homorrítmico,
ele se dá de duas maneiras: de forma literal, ou por constância
de um mesmo intervalo (no caso dos duos, sempre o trítono, como
podemos ver no ex. musical 5), podendo as linhas melódicas procederem
às vezes por movimento contrário. Esses duos usam preferencialmente
os intervalos de 2as. , trítonos e 7as. ,
em linhas que se cruzam constantemente. "Um no Outro" sofreu uma grande
revisão em 1994, que não foi editada. Essa revisão,
dentre outras coisas, suprime frases em sons harmônicos de difícil
execução, modifica a macro estrutura e apresenta mudanças
mais sutis na construção de frases, como podemos ver no exemplo
a seguir:
Exemplo Musical 4: Início da segunda
página das duas versões de "Um no Outro".
A seção que começa no compasso
29 da primeira versão (1984) se inicia com modificações
no compasso 30 da versão de 1994.
Exemplo Musical 5: compassos 29/35 de "Duo dos
temperamentos e das cores".
Paralelismo por constância do intervalo
de trítono entre as linhas melódicas.
Podemos também detectar pequenos motivos
melódicos, principalmente na obra orquestral "Os Sonhos". Essa obra
também antecipa, ainda que timidamente, o uso de ostinatos, que
será uma característica marcante do período seguinte.
Período Belo Horizonte (1985 ? 1996)
Em Belo Horizonte, Bértola atua inicialmente na Fundação de Educação Artística, e depois na Escola de Música da UFMG, como professor efetivo. Foi diretor do Centro de Pesquisa em Música Contemporânea dessa Escola, de 1986 a 90. Foi também o criador e diretor do Laboratório de Composição com Meios Eletroacústicos vinculado a esse Centro, de 1985 a 90. Lecionou disciplinas na graduação e especialização em música, entre elas Estética, Análise e Composição. A primeira obra composta nessa fase é datada de 1990, e a partir desse ano sua produção é novamente intensa, com obras que revelam toda sua maturidade técnica e artística.
Além de "Grandes Trópicos" obra para grande orquestra, composta entre 1990-1995, encontramos na produção desse período:
ostinatos: a maioria dessas obras (com
exceção de "Cantos a Ho" e "Lucípherez") apresenta
uma (ou mais de uma) seção de duração considerável
baseada em ostinatos, que servem de fundo para diferentes idéias
musicais. Segundo o compositor, essa é uma das heranças de
sua experiência eletroacústica, do "sillon fermé",
que pode ser vista no exemplo seguinte:
Exemplo Musical 6: Compassos 29/31 de "Retornos
do Tempo", onde se nota o uso de ostinato de segunda maior,
soldadura desse ostinato entre os dois fagotes
e fragmentos melódicos que exploram a segunda maior ascendente.
prolongamento ‘artificial’ de uma nota:
outra herança eletroacústica em sua escrita instrumental,
a passagem de uma nota com a mesma altura de um instrumento para outro
é realizada com bastante cuidado: soldaduras e indicações
precisas de dinâmica contribuem para isso. A própria maneira
do compositor em escrever o último valor rítmico de uma linha
demonstra esse cuidado: essas colcheias ou semicolcheias tem sua bandeira
desenhada horizontalmente ao pentagrama, querendo indicar uma continuação
dessa linha em outro instrumento, apesar da pausa que vem em seguida. Pode-se
observar essa técnica no exemplo musical 7.
Exemplo Musical 7: página 33 de "Cantos
a Ho". Nota mi permanece durante todo o tempo, em diferentes oitavas
(notar soldaduras entre o sax e o piccolo). O
piccolo realiza a 2a. maior melódica (oitava acima) sobre nota intermediária
da clarineta.
Outros instrumentos fazem pontuações.
intervalos motívicos: podemos detectar
intervalos musicais que permeiam toda uma obra desse período: a
5a. justa em "Cantos a Ho" [exemplo musical 8], a 7a.
maior em "A Hora e a Vez" [exemplo musical 9], o trítono em "Caminhos
de Sinais". A 2a. maior é largamente utilizada, seja
como intervalo harmônico (é o preferido para a geração
de sons diferenciais), seja como distância entre linhas paralelas,
ou como motivo melódico.
Exemplo Musical 8: Compassos iniciais de "Cantos
a Ho". O solo de fagote privilegia o intervalo de 5a. justa,
de presença marcante em toda a obra. Notar
que três das cinco frases terminam com a desinência de 2a.
maior ascendente.
Exemplo Musical 9: página 25 de "A Hora
e a Vez", contraponto de estratos sonoros. Ostinato na mão direita
do piano,
melodia na 1a. flauta e cello, notas
longas nos violinos, pontuações na mão esquerda do
piano.
A 2a. flauta continua a melodia, com
sua primeira nota reforçada pelo trompete. O intervalo de 7a. maior
e sua inversão estão sempre presentes
uso de melodias com desenhos rítmicos
e melódicos característicos: linhas melódicas
bastante angulosas, com um ritmo simples, são exploradas em todas
essas obras. Um motivo melódico recorrente é a segunda maior
ascendente, que pode aparecer sozinho ou como desinência de um grande
número de frases. "Cantos a Ho" apresenta ainda uma característica
especial, que é a escrita de solos para cada um dos integrantes
do septeto, muitas vezes ‘a cappella’.
Exemplo Musical 10: página 37 de "Cantos
a Ho". Sopros no extremo agudo tocam melodia angulosa, que privilegia os
intervalos de terça, em 5as. paralelas.
Fagote toca motivo de 2a. maior sobre nota intermediária
do trombone. Notar as soldaduras entre as diferentes idéias musicais.
motivo melódico de duas notas em 2a. maior sobre nota longa de altura intermediária: esse motivo é bastante explorados nos duos, e também em trechos de obras para um número maior de instrumentos. Ver exemplo musical 10.
notas ou acordes de curta duração repetidos: essas notas ou acordes são usados como elementos dinâmicos, porém a insistência em sua repetição acaba por assumir uma função suspensiva do discurso musical.
"Grandes Trópicos" merece um estudo
mais aprofundado, que ultrapassa os objetivos desse artigo, por se tratar
de uma obra considerada pelo compositor como "la síntesis y la
expansión de todas mis tentativas y esfuerzos al lado del movimiento
latino-americano por una música nueva y libre."14
Uma análise superficial revela a presença de todos os elementos
descritos acima, e uma textura musical mais rica em estratos, devido às
próprias dimensões do grupo instrumental.
CONCLUSÃO
A preocupação de Eduardo Bértola com a construção de objetos sonoros originais está explícita desde suas primeiras obras. Nota-se também claramente que seu discurso musical está baseado nesses objetos, suas características (sejam de matéria, perfil temporal ou granulação), transformações e combinações em estratos. Outra característica relevante e constante em sua produção é a severa economia de materiais, de natureza ideológica.
Sua experiência com a música eletroacústica é peculiar, pois apesar do contato direto com o GRM, ele trabalha bastante com sons simples gerados eletronicamente, ou com sons gravados sem muitas transformações. Ao mesmo tempo, não se filia ao estruturalismo pós-serial. Sem conhecer toda sua produção para fita magnética e nada de sua produção para teatro, é difícil definir a posição de Bértola em relação ao uso de sons de maneira acusmática, isto é, abstraindo-se de suas fontes ou origens. Em todo caso, é sintomático que seu ponto culminante na música eletroacústica seja uma obra de colagem de materiais radiofônicos.
Essa mesma experiência eletroacústica traz uma riqueza considerável à escrita instrumental de Bértola, que chamava a orquestra de um grande gerador de sons. O trabalho em contato direto com instrumentistas marca sua produção a partir de 1975. Desse ponto até a fase final, notamos uma opção progressiva pela escrita tradicional, a exploração sistemática de superposição de estratos, um pensamento melódico que vai surgindo pouco a pouco e o uso de ostinatos como idéia recorrente nas últimas obras. Tudo isso paralelamente a uma busca rigorosa e constante de equilíbrio formal, seja na clareza de exposição dos materiais, seja no tratamento da escrita instrumental, seja nas relações de duração entre as diferentes seções de uma obra, seja na minuciosa preocupação com a "montagem", preocupação esta que abarca desde a criação de um simples objeto sonoro e sua inserção em uma textura musical até toda estrutura de uma obra.
LISTA CRONOLÓGICA DE OBRAS
Todas as obras constantes dessa lista foram por nós localizadas, e seus originais, exemplares editados ou cópias foram incorporados ao nosso acervo, com exceção de "Pexoa" e "Penetraciones II". O acervo pessoal de Eduardo Bértola foi doado por sua família à Escola de Música da UFMG, estando hoje sob a tutela de Sérgio Freire. Durante a catalogação desse conjunto de obras, cópias de várias outras obras nos foram enviadas de diferentes localidades. A biblioteca dessa escola terá cópias de todo o material existente, e os manuscritos serão integrados ao acervo UFMG.
Além dos manuscritos do compositor e de edições, estamos indicando como acervo (ou fonte primária) as instituições ou pessoas que nos enviaram cópias de obras. No caso de obras eletroacústicas, estamos indicando a origem da cópia de melhor qualidade que possuímos.
Las Doradas Manzanas del Sol (1966, Resistencia ? revista em 1984), para piano
Dedicada a Gerardo Gandini
Acervo: manuscrito do autor
Sobre poema "The Song of Wandering Aengus", de W.B. Yeats
Variantes Alpha-Omega (1966, Resistencia), para coro misto (satb com barítono)
Dedicada a Yolanda Elizondo
Acervo: Edições Barry, Buenos Aires
Procne (1966, Resistencia), para 3 sopranos, 3 flautas, 2 clarinetes si b, 6 violinos, 4 violas, 3 violoncelos, harpa, percussão
Acervo: Alcides Lanza
Sobre poema homônimo de Peter Quennell
USHER-II-2005 (1966, Resistencia), para 2 pianos
Dedicada a: Alcides Lanza
Acervo: Alcides Lanza
Signals (1969, Paris), para flauta (piccolo), oboé, clarineta, clarone, fagote, trompete, trombone, trompa, xilofone, vibrafone, celesta, harpa, 2 violinos, viola, violoncelo, contrabaixo
Acervo: Graciela Paraskevaídis e Coriún Aharonián (G.P. e C.A.)
Existe uma versão de 1975 (do mesmo acervo)
Hertz (1970 (?), Paris (?)), para flauta (tb. piccolo), clarineta, clarone, fagote, trompete, trombone, trompa, celesta, harpa, violino, violoncelo, percussão
Acervo: G.P. e C. A.
Episode (1969, Paris), para fita magnética
Acervo: Groupe de Recherches Musicaux (GRM)
Penetraciones (1969, Paris), para fita magnética
Acervo: Centro de Estudios Musicales (CEM), Buenos Aires
Provavelmente é o mesmo que Penetraciones I, derivada de Rouges
Dynamus (1970, Paris), para fita magnética
Acervo: CEM, Buenos Aires
Esta obra foi lançada em um disco da série Musica Nueva Latinoamericana, Ediciones Tacuabe.
Pexoa (1970, Paris), para fita magnética
Acervo: G.P. e C.A.
Penetraciones II (1971, París), para fita magnética
Acervo: G.P. e C.A.
Elictros (1972, Buenos Aires), para fita magnética
Acervo: Laboratorio de Investigación e Producción Musical (LIPM), Buenos Aires
Gomecito contra la Siemens ou El Diablo de San Agustín (1974, Buenos Aires), para fita magnética
Acervo: LIPM, Buenos Aires
Tramos (1975, Buenos Aires), para fita magnética
Acervo: CEM, Buenos Aires
Há uma versão gráfica da realização eletroacústica, feita por Marcelo Terraza
Trópicos (1975, Ouro Preto), para flauta (flauta em sol, piccolo), clarineta e violino
Dedicada a Joaquín Orellana
Acervo: manuscrito do autor
Anjos Xifópagos (1976, Belo Horizonte), para 2 flautas
Dedicada a Rosana Bassi
Acervo: edição Musimed
Sobre trecho do livro de Sérgio Sant’anna - Confissões de Ralfo (1975), reeditado em 1995 pela editora Relume-Dumará, do Rio de Janeiro
Traslaciones (1976, Buenos Aires - Belo Horizonte), para flauta
Dedicada a Odette Ernest Dias
Acervo: manuscrito do autor
Há uma versão de 1984, editada por Musimed
Tráfego (1976, Belo Horizonte), para piano
Acervo: manuscrito do autor
Trovas, Crónicas e Epigramas (1977, Buenos Aires), para fita magnética
Acervo: CEM, Buenos Aires
Histórias para um movimiento imaginário (1977, Buenos Aires), para fita magnética
Acervo: CEM, Buenos Aires
La Visión de los Vencidos (1978, Belo Horizonte), para 4 flautas
Dedicada a Graciela Paraskevaídis e Coriún Aharonián
Acervo: manuscrito do autor
Baseado no livro homônimo de León-Portilla, editado pela Universidad Autónoma de México
La Visión de los Vencidos (1978, Belo Horizonte), para 4 flautas, contrabaixo e percussão
Os Sonhos (1980, Brasília), para orquestra sinfônica
Dedicada a Emilio Terraza
Acervo: Emílio de César
Um no Outro (1984, Brasília), para 2 violoncelos (ou para grupo de violoncelos)
Acervo: Edição Musimed
Há uma revisão de 1994, não editada, e dedicada a Abel Moraes e Cecília França
Duo dos temperamentos e das cores (1984, Brasília), para violino e viola
Acervo: manuscrito do autor
A Hora e a Vez - Septeto Matraga (1990, Belo Horizonte), para 2 flautas, trompete, piano, 2 violinos, violoncelo
Dedicada a Oiliam Lanna
Acervo: manuscrito do autor
Sobre conto de Guimarães Rosa: A Hora e a Vez de Augusto Matraga
De Sonhos e Quedas (1990, Belo Horizonte), para 2 pianos
Dedicada a Celina Szrvinsk e Miguel Rosselini
Acervo: manuscrito do autor
Retornos do Tempo (1991, Belo Horizonte), para 2 fagotes
Dedicada a Benjamin Coelho
Acervo: edição Musimed
Rituais do Imaginário (1992, Belo Horizonte), para 2 flautas (1a. piccolo), 2 oboés, 2 clarinetas, 2 fagotes, 2 trompetes, harpa, 8 violoncelos e contrabaixo
Acervo: manuscrito do autor
Obra encomendada pela Secretaria Municipal de Cultura de Belo Horizonte
Caminhos de Sinais (1992, Belo Horizonte), para 2 clarinetas
Dedicada a Maurício Loureiro
Acervo: manuscrito do autor
Cantos a Ho (1993, Belo Horizonte), para flauta (flauta em sol, piccolo), clarineta, saxofone alto, trombone, violino, contrabaixo
Dedicada ao Grupo de Música Contemporânea da UFMG
Acervo: manuscrito do autor
Inspirado por poemas de Ho-Chi-Minh
Lucípherez (1994, Belo Horizonte), para contrabaixo
Dedicada a Fausto Borém
Acervo: edição Musimed
Grandes Trópicos (1990 -1995, Belo Horizonte), para orquestra sinfônica
Dedicada ao Nucleo Música Nueva de Montevideo
Acervo: NMN, Montevideo
Obras não localizadas
a) Citadas pelo compositor:
Três Prelúdios para piano (1960, Córdoba)
Rouges (1969, Paris), para fita magnética e luzes
Penetraciones I (1969, Paris), para fita magnética (na verdade, é Rouges sem as luzes)
Moiré (1973, Buenos Aires), para fita magnética
Mecanica (1974, Buenos Aires), para fita magnética
Dilemas para um Sintetizador (1981, Brasília), para fita magnética
b) Constante da contracapa de edições Musimed:
Trópicos no.2 (1982, Brasília (?)), para 2 flautas, violino, violoncelo, contrabaixo e percussão
c) Citadas em programas de concerto e outras publicações:
Procne (???, ???), para fita magnética
Quatour (???, ???), para 2 flautas, vibrafone, harpa
Elegía (1965, Resistencia), para ???
Signaux (1969, Paris), para fita magnética
AGRADECIMENTOS
São muitas as pessoas e instituições
que colaboraram para que essa compilação da obra de Eduardo
Bértola fosse feita da forma mais exaustiva e respeitosa possível.
Primeiramente agradecemos a Graciela Paraskevaídis, Coriún
Aharonián e ao Nucleo Música Nueva de Montevideo,
por sua indispensável colaboração. Também a
Alcides Lanza, Carlos Cerana, Jorge Rapp, Emílio de César,
Mauro Rodrigues e Daniel Teruggi, pela cessão de cópias de
obras de acervos próprios ou de instituições nas quais
trabalham. A Bohumil Med, Jorge Antunes, Oiliam Lana, Emílio Terraza,
Benjamin Coelho, Mauro Mascarenhas, Fausto Borém, Maurício
Loureiro, Berenice Menegale, Cláudio Urgel, Carlos Aleixo, Celina
Szrvinsk e Miguel Rosselini por informações orais ou cópias
de programas de concerto, artigos de jornais etc.
Nota do Autor
1 Este artigo é resultado do projeto de pesquisa "Catalogação da obra musical de Eduardo Bértola (1939-1996), incluindo aspectos técnicos e estéticos de sua linguagem", desenvolvido na Escola de Música da UFMG entre 1997 e 1999, com o apoio do programa de iniciação científica PIBIC - CNPq/UFMG. volta
2 Possuímos ainda um manuscrito de uma Sonata para violino e piano (incompleta), que preferimos classificar como um trabalho acadêmico - provavelmente feito nas aulas de Leuchter - , já que não antecipa idéias musicais a serem retomadas mais tarde pelo compositor e não apresenta afinidades técnicas ou estilísticas com sua produção imediatamente posterior. volta
3 Informações sobre a instrumentação completa das obras citadas se encontram na seção LISTA CRONOLÓGICA DE OBRAS volta
4 O GIMEP teve como membros Bértola, Boeswillwald, Kaufmann, Bruzdowicz, Coulombe-Saint-Marcoux e Lejeune volta
5 No entanto, em correspondência da época com Graciela Paraskevaídis, ele diz haver terminado "la obra para Marius Constant: Hertz". volta
6 Revisões sempre foram uma constante na produção de Bértola. Acreditamos que "Penetraciones I" seja o mesmo que "Penetraciones", da qual temos uma gravação. Como ainda não contamos com as gravações de "Pexoa" e "Penetraciones II", aguardamos esta aquisição para termos uma idéia mais clara da produção eletroacústica desse período, e assim detectar possíveis reaproveitamentos de idéias e materiais. volta
7 Coriún Aharonián, "apuntes para una audición sobre ASPECTOS DE LA CREACION MUSICAL ELECTRO ACÚSTICA EN LATINOAMERICA", para Sveriges Radio / Johnson-Bodin. 1974, cópia do autor volta
8 Em uma reportagem sobre o compositor no jornal La Opinión, Buenos Aires, 28 de setembro de 1971 volta
9 Coriún Aharonián, La música electroacustica em Latinoamerica. Em Ficciones no. 2 [Montevideo, janeiro de 1978], p. 39. volta
10 Desse período, resta ainda a menção feita pelo próprio compositor de três estudos eletroacústicos, não localizados. volta
11 Sobre "Tramos", ver o excelente artigo homônimo de G. Paraskevaídis, publicado na Revista Lulu [Buenos Aires, 3 de abril de 1992]. volta
12 A edição original desse livro foi feita pela Universidad Autónoma de México. Há uma tradução para o português editada por L&PM Editores, em 1985. volta
13 Diferentes tipos de ataque são suprimidos - abafado, punteado com unha, frotado com a polpa do dedo, com o pedal de surdina - o ritmo ganha uma precisão antes inexistente e toda a seção central é bastante modificada. volta
14 Da dedicatória
dessa obra ao Nucleo Música Nueva de Montevideo, em setembro de
1995. volta
Sérgio Freire (Belo Horizonte, 1962). Compositor e professor de música. Mestre em Sonologia pelo Instituto de Sonologia do Conservatório Real da Holanda, com concentração em composição algorítmica. Graduado em composição pela UFMG, sob a orientação de Guerra Peixe e Eduardo Bértola. Desde 1995 é professor da área de composição da Escola de Música da UFMG. Sua produção inclui obras para solistas, conjuntos de câmara, eletroacústica e música original para teatro, vídeo e animação. Apresentações no Brasil, Chile, Holanda e Alemanha. Segundo prêmio no IV Concurso Nacional de Composição, promovido pela UFBa, em 1989.
Avelar Rodrigues Júnior (Belo Horizonte,
1973). Aluno de composição da Escola de Música da
UFMG desde 1994. Bolsista de Iniciação Científica
(PIBIC-CNPq/UFMG) do projeto "Catalogação da obra musical
de Eduardo Bértola (1939-1996), incluindo aspectos técnicos
e estéticos de sua linguagem" de 1997 a 1999, sob orientação
de Sérgio Freire.volta