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Pesquisa em Educação
Musical:
situação do campo
nas dissertações e teses dos
cursos de pós-graduação
stricto
sensu
em Educação1.
Este estudo tem a finalidade de apresentar a situação do campo da Educação Musical nas dissertações e teses de cursos de Pós-Graduação stricto sensu em Educação no Brasil e mais especificamente de listar (nome do autor, título, data de defesa e orientador) as dissertações e teses defendidas; verificar a produção em termos quantitativos dentro das especialidades do CNPq estabelecidas para a Educação Musical e analisar a situação no Brasil, apontando para uma possível caracterização, no que se refere, inclusive, ao aspecto comparativo entre a produção nos Cursos de Pós-Graduação stricto sensu em Educação e em Música/Educação Musical.
Discutir sobre a produção discente dos cursos de pós-graduação nos leva a enfatizar alguns aspectos referentes ao próprio sistema nacional de pós-graduação que a gerou e que podem afetá-la profundamente. Atualmente a situação econômica tem ameaçado tanto a pós-graduação quanto a pesquisa acadêmica no país. Os dados vindos dos programas de pós-graduação que são analisados pelos órgãos competentes mascaram realidades e aspectos importantes. Segundo Cavalheiro & Neves (1997:53), os dados mascaram as realidades porque generalizam e permitem, assim, distorções graves. Mascaram também por diluir
Ao mesmo tempo, espera-se dos programas de pós-graduação e dos pesquisadores que neles atuam a função redentora da universidade e, em termos de distribuição do orçamento, há hoje um deslocamento das verbas da pós-graduação para a escola básica. Essa oposição, segundo Cavalheiro & Neves (1997:55-60), está ligada a dois mitos: o primeiro é o "mito do herói salvador" e o segundo é o "mito do ou isto ou aquilo". O investimento no aquilo, a escola básica, é considerado como um investimento mais "saudável", embora os autores digam que de nada adiantaria "investir em computadores e parâmetros curriculares para uma escola por onde passe uma juventude sem futuro intelectual e científico (...) nenhum investimento cosmético nas escolas garantirá o reconhecimento do professor, socialmente"."as diferenças de situações e de problemas que certamente se expressam ao longo de mais de 30 anos de existência de um Sistema Nacional de Pós-Graduação na oposição falaciosa entre um antes, quase sempre positivado e unívoco, a um agora vivido sob a constante ameaça de degradação" (grifos do original).
Contudo, por um lado, considera-se os cursos de pós-graduação como locus privilegiado, já que o pós-graduando se considera no direito e no dever de conquistar uma autonomia científica. Por outro, a avaliação dos programas de pós-graduação se restringe à confecção de produtos e não à formação do pesquisador, gerando vários problemas, como por exemplo, a criação de "linhas de montagens de teses, correndo o sério risco de transformar os pós-graduandos em algo muito distinto dos sujeitos intelectual e cientificamente autônomos que deveriam tornar-se" (Cavalheiro & Neves, 1997:63).
Tanto Cavalheiro & Neves (1997), já
citado, como Severino (1993) enfatizam que a redução de tempo
de conclusão de teses e dissertações afeta consideravelmente
a produção e não considera problemas de equipamentos
e de experiências, por exemplo, levando consigo uma formação
de pós-graduados imaturos, capazes de defender teses em 48 meses
e incapazes de autonomia para pensar e produzir. A pré-fixação
geral e a redução dos prazos afetam diretamente o ritmo e
a qualidade das pesquisas. O que deveria ser feito era o estabelecimento
do prazo por cada instituição, havendo, assim, uma flexibilidade
dos prazos. Isso seria efetivo, pois não basta identificar coordenadas
para os programas, é necessário pensar nos desdobramentos,
na qualidade, na produtividade e na flexibilidade de lidar com diferenças
e enfrentar desafios.
A pesquisa em Educação Musical nos Cursos de Pós-Graduação em Música/Educação Musical
No Brasil, a subárea da área Música chamada de Educação Musical apresenta-se em pleno estágio de evolução, devido ao aumento do número de pesquisadores (muitos com cursos de pós-graduação no exterior), de cursos de pós-graduação (CPG) em música - incluindo o aumento do número de cursos/vagas de pós-graduação em várias outras áreas, que possibilitam o acesso de pesquisadores da música e da educação musical - e de periódicos especializados da área da música e da educação musical, especificamente. Além disso, a fundação da ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical) e da ANPPOM (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música) veio sistematizar e proporcionar maior intercâmbio na área da música.
No que diz respeito aos artigos publicados em periódicos e anais de encontros de 1986 até 1996, Esther Beyer (1996) ao analisar periódicos e artigos de anais, aponta que houve um aumento gradativo de citações de autores brasileiros nas bibliografias, mas que os temas e características das pesquisas são restritos de um pesquisador ou de uma equipe de pesquisadores, ou seja, "pequenas áreas de ‘propriedade exclusiva’ de um estudioso" (p.76). Isso mostra que na subárea da Educação Musical o conhecimento gerado não faz ainda com que exista uma tradição consolidada, pois a "produção específica de Educação Musical restringe-se quase que a projetos individuais de pós-graduados" (Souza, 1997). Embora a literatura ainda não aponte, na Educação Musical brasileira, no que se refere ao parâmetro pesquisa, acreditamos que haja uma tradição sociológica, uma tradição psicológica e ainda uma concepção histórica, muito aparentes no campo da pesquisa em educação musical no Brasil, ainda que "espalhada" por alguns centros de pós-graduação, ou, mesmo, predominando em um único centro. Ocorre aqui, então, a necessidade de um exame do campo de pesquisa nas dissertações de Mestrado2 existentes no Brasil para que se aponte para a situação do campo, ou seja, é necessária a verificação de como o campo já foi abordado por diferentes pesquisadores nos cursos de pós-graduação em música e música/artes existentes no Brasil.
Segundo Ulhôa (1997), até dezembro de 1996 foram defendidas 262 dissertações na área da Música nos Cursos de Pós-Graduação de Música e Artes/Música da UFRJ, CBM, UFRGS, USP, UNICAMP, UNESP, UFBA e UNI-RIO. Essas dissertações, listadas por Ulhôa, incluem dissertações de educação musical, de musicologia e de práticas interpretativas.
Uma pesquisa exclusiva da subárea da Educação musical mostra os resultados (preliminares) do estado atual nas dissertações de Educação Musical nos cursos de Pós-Graduação em Música/Educação Musical (Oliveira & Souza, 1997), apontando as 45 dissertações de cinco programas brasileiros (CBM, UFBA, UFRGS, UFF e UFRJ). O total de trabalhos, nas duas listagens citadas (Ulhôa, 1997 e Oliveira & Souza, 1997), é de 50 dissertações específicas de Educação Musical. Oliveira e Souza (1997) citam 46 dissertações dos CPGs do CBM, UFRJ, URGS, UFF e UFBA até 1997 de Educação Musical e Ulhôa até 1996, mas Ulhôa (1997) cita quatro dissertações de Educação Musical de CPGs não incluídas na lista de Oliveira e Souza (UNESP, UNICAMP, USP e UNI-RIO), totalizando então 50 o número de dissertações de educação musical desses CPGs até 1996 e 1997.
Tentamos, então, sistematizar e especificar o conjunto de dissertações organizadas pelas pesquisas de Ulhôa (1997) e Oliveira & Souza (1997) e verificar como está o campo da pesquisa em Música/Educação Musical nas teses e dissertações nos CPGs, adotamos como padrão de cálculo da freqüência dos tópicos da "Estrutura da Área da Música", presentes no Relatório do CNPq de Ilza Nogueira (1997), que contém as subáreas e as especialidades de cada subárea. As especialidades da subárea Educação Musical são: (1) Filosofia e Fundamentos da Educação Musical, (2) Processos Formais e Não-formais da Educação Musical (I, II e III Graus), (3) Processos Cognitivos na Educação Musical, (4) Administração, Currículos e Programas em Educação Musical, (5) Educação Musical Instrumental (Banda, Orquestra), (6) Educação Musical Coral, (7) Educação Musical Especial.
Como podemos observar na Figura 1, a maioria dos
trabalhos de Educação Musical está na especialidade
(2) Processos Formais e Não-formais da Educação Musical
(54%). Existe um sério "desequilíbrio" entre os índices,
devido, talvez, aos interesses dos pesquisadores. Os baixos índices
em relação às especialidades (4), (5) e (6) também
devem ser levados em conta. Acreditamos que o interesse que, possivelmente,
regula a produção possa também estar ligado a uma
pequena quantidade de estudos teóricos e práticos existentes
e à falta de prática dos pesquisadores nesses campos. Na
especialidade (7), Educação Musical Especial, não
existe qualquer trabalho feito, sendo, portanto, a especialidade mais carente.

Figura 1. A Pesquisa em Educação
Musical segundo as especialidades do CNPq nas dissertações
de Mestrado dos Cursos de Pós-Graduação stricto
sensu em Música/Educação Musical no Brasil, com
base em Ulhôa (1997) e Oliveira & Souza (1997).
Enfatiza-se, aqui, a precariedade dessa revisão, já que os levantamentos sobre o estado do conhecimento na área foram iniciados recentemente (1996/7) e não consideram as pesquisas dos outros cursos de pós-graduação. Verifica-se, assim, que os levantamentos de Ulhôa e Oliveira & Souza são as únicas bases concretas para sabermos qual é o estado do campo - Educação Musical - em cursos de pós-graduação em Música.
Instala-se, então, um problema: como se
encontra a produção discente dos cursos de pós-graduação
stricto
sensu em Educação no que se refere à Educação
Musical e, mais especificamente, em relação às especialidades
da Educação Musical estabelecidas pelo CNPq? É de
suma importância saber como a subárea Educação
Musical está presente nas dissertações dos cursos
de pós-graduação stricto sensu em Educação,
pois isso reflete uma análise da produção no campo
e contribui com diversas pesquisas, uma vez que constrói o estado
da arte da pesquisa em educação musical, na área da
Educação.
A pesquisa em Educação Musical nos Cursos de Pós-Graduação em Educação
O universo de estudo foi composto pela totalidade de cursos de Pós-Graduação stricto sensu em Educação. A lista dada pela CAPES (1998) dos cursos credenciados e uma lista complementar, fornecida pelo Curso de Pós-Graduação em Educação da UFRJ (1997), serviram para o estabelecimento da listagem total de cursos de Pós-Graduação stricto sensu em Educação no Brasil (62 programas). Enviamos uma carta solicitando as listagens atualizadas de títulos, autores, orientadores, datas de defesa e resumos para a coordenação de cada programa. Das 62 solicitações feitas recebemos listagens de 33 cursos e mais dois que informaram que não tinham ainda dissertações defendidas. Buscamos através do Catálogo de Teses e Dissertações da ANPED ? Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (1997) as listas dos cursos associados que não enviaram suas listas. Consultamos ao todo listas de 46 instituições: 16 listas até 1996, 03 até 1997 e 27 até 1998.
A produção discente dos cursos de Pós-Graduação em Educação já foi analisada por diversos autores nas últimas décadas. Vários problemas foram identificados e merecem ênfase aqui, mesmo sem um devido aprofundamento.
Na área da Educação os avanços gerados na década de 80 na pós-graduação no Brasil (aumento do número de projetos de pesquisa dos professores dos programas, crescimento do número de docentes com pós-doutoramento, participação efetiva em congressos nacionais e internacionais e o número crescente de publicações), representam, na década de 90 sobre a produção discente de modo fraco e desigual (Ward, 1993). Verifica-se a precariedade de clareza no referencial teórico, pesquisas sem relevância, indefinição do interlocutor, dispersão de temas abordados - sem ligação, muitas vezes, com a educação. Para Warde (1993), as avaliações dos programas, feitas pelo Estado, não correspondem, em um número considerável de casos, ao que é produzido pelos discentes.
A produção discente foi analisada por nós, como já foi dito, em 46 programas de pós-graduação. Encontramos 59 trabalhos na área da Música/Educação Musical, em 20 desses programas, sendo 5 teses de doutorado e 54 dissertações de mestrado. Não incluímos o campo da Musicoterapia, embora uma dissertação tenha sido encontrada.3
Torna-se importante mostrar aqui que a Musicoterapia difere da Educação Musical Especial, daí a não inclusão da pesquisa neste estudo. A discussão em torno do assunto ? Musicoterapia versus Educacão Musical Especial - é, atualmente, pouco presente nas mesas dos encontros e congressos. De um lado, encontram-se as discussões nos encontros, congressos, livros e periódicos da área da Musicoterapia, sobre os processos, meios e mecanismos musicoterápicos. De outro, nos congressos, livros e periódicos de Educação Musical se exclui ou pouco se fala da educação musical para portadores de deficiências, incluindo a hiperatividade, chamada de Educação Musical Especial. Isso que está acontecendo no Brasil pode se respaldar no fato de que, como em alguns países, a Educação Musical Especial é muitas vezes tratada pela Musicoterapia, fazendo com que, no caso brasileiro, ocorra carência na produção, ou até mesmo inexistência dela, devido a esta indefinição, como é na produção discente dos cursos de pós-graduação em Música e Educação Musical. Que área deve ser responsável pelos estudos da Educacão Musical Especial? Acreditamos que é a da Educacão Musical, como aponta o CNPq e suas especialidades e devido aos fins e meios de cada área.
A Musicoterapia é, sem dúvida, muito mais ampla que a Educação Musical Especial e a diferença se dá, basicamente, pela própria finalidade de cada uma. A Educação Musical Especial trata da aprendizagem e do ensino de música para portadores de deficiência física (cegos, surdos e mudos) e mental, perseguindo o desenvolvimento musical, a progressão conceitual e de habilidades, a memorização, a prática de conjunto e todos os processos envolvidos, inclusive a apresentação pública dos resultados, o que é fundamental para a própria Educação Musical, não sendo, pois, aplicação de técnicas musicoterápicas.
Além disso, três das dissertações não puderam ser alocadas nas especialidades da Educação Musical. São os trabalhos de Carvalho Sobrinho4, Machado5 e Zacharow6, já que os mesmos são da área da musicologia, e não estão na lista aqui apresentada e não fizeram parte da análise.
Figura 2. A Pesquisa em Educação
Musical segundo as especialidades do CNPq nas teses e dissertações
dos Cursos de Pós-Graduação stricto sensu em
Educação no Brasil.
A seguir listaremos a produção encontrada por ordem alfabética dos autores. Antes, porém, analisaremos a sua distribuição nas especialidades do CNPq, descritas anteriormente para analisar as dissertações produzidas nos cursos de pós-graduação em Música/Educação Musical. Na especialidade (5) Educação Instrumental (Banda/Orquestra) incluímos os trabalhos dos conjuntos de percussão e da Fanfarra.
Analisando os índices das especialidades (Figura 2), observamos que a especialidade (2) Processos Formais e Não-formais da Educação Musical apresenta maior número de trabalhos (43%) e em seguida as especialidades (1) Filosofia e Fundamentos da Educação Musical (20%) e (3) Processos Cognitivos na Educação Musical (18%), exatamente como acontece na produção discente dos cursos de pós-graduação em Música, já demonstrado, embora, na área da Educação, haja um maior índice na especialidade (3). Mas é bom enfatizar que o grande índice de trabalhos na especialidade (2) se deva pelo grande interesse dos pesquisadores nos processos de ensino-aprendizagem da Educação Musical, ou seja, o processo de ensino da música, sejam eles formais ou não-formais. O interesse, a nosso ver, está associado ao fato de que grande maioria dos pesquisadores atua lidando diretamente com os processos de ensino-aprendizagem e que esta especialidade é muito ampla, comportanto uma infinidade de problemas, temas, tópicos e aspectos. Além disso, existe uma vasta literatura tratando de tal especialidade.
Um ponto relevante é o aparecimento, já que nos cursos de música não existe qualquer trabalho, de trabalhos na especialidade (7) Educação Musical Especial (3,5%). Isso é extremamente relevante para a subárea da Música, a Educação Musical, já que é uma especialidade de grande importância para a área da Educação e para a sociedade, pois há uma grande demanda e, além disso, a nova LDB/96 estipula a junção de alunos normais e especiais nas escolas regulares, induzindo a participação da comunidade acadêmica no estudo desse aspecto. Nas dissertações e teses analisadas da área da educação, também encontramos um aumento, muito pequeno, mas real, nos trabalhos da especialidade (4) Administração, Currículos e Programas em Educação Musical (7%), mostrando que a especialidade é um pouco mais valorizada na área da Educação, mas ainda é carente. Acreditamos que seja por causa do interesse dos pesquisadores, ligado a uma distância do campo prático relativo a ela, a um formação não direcionada a esse campo e a uma falta de literatura específica.
Os índices das especialidades (5) Educação
Musical Instrumental (Banda, Orquestra, incluindo conjuntos de percussão
e a Fanfarra) (5%) e a especialidade (6) Educação Musical
Coral ( 3,5%), são muito baixos, como nas dissertações
da área da Musica/Educação Musical, acreditamos que
seja devido ao pouco interesse dos discentes por esta especialidade. Como
já foi dito, o interesse está associado a aspectos diversos,
como a quase total ausência de literatura e a falta de prática
dos pesquisadores, isto é, acreditamos que os regentes de coral
e de conjuntos instrumentais, os quais têm prática musical
direta no campo, desenvolvem pesquisas em outras áreas da música,
não havendo interesse em tratar de aspectos e problemas de ensino
e aprendizagem.
Lista das Dissertações e Teses de Educação Musical/Música dos Cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação no Brasil7
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Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal do Paraná. 16.09.92. ORIENTADOR(A): PAVÃO, Zélia Milleo.
Breves Conclusões
A especialidade mais carente, a que foi menos
estudada, é a da Educacão Musical Especial, a qual, como
foi discutido neste estudo, difere da Musicoterapia, uma vez que a Musicoterapia
é bem mais ampla. Recomenda-se aos CPGs de Música/Educação
Musical e de Educação e aos pesquisadores que abordem mais
as especialidades carentes: Educação Musical Especial, Educação
Coral, Educação Instrumental (conjuntos).
Em aproximadamente vinte anos, no Brasil, a distribuição diacrônica das pesquisas dos discentes da área da Educação ? no que se refere à Educação Musical, ou seja, a produção por ano, mostra que de 1981 a 1990 foi de 17 pesquisas, já entre 1991 e 1998 houve um sensível crescimento do número de pesquisas, 39 pesquisas, apresentando o dobro de trabalhos produzidos entre 1981 e 1990. Isso aponta para um crescimento favorável, pois, por um lado, podemos dizer que com isso a Educação Musical ganha espaço e relevância na área da Educação e indica uma subárea instalada, mesmo considerando que a Educação Musical, na área da Educação, na sua maioria está inserida em Educação Artística ou Arte-Educação, não sendo, pois, uma subárea direta. Por outro lado, notamos que o representativo crescimento do número de trabalhos entre 1991 e 1998 mostra que neste período os CPGs de Educação continuaram e ampliaram a aceitação de trabalhos de Educação Musical e, também, que músicos e professores de música tiveram chance de desenvolver pesquisas em CPGs de Educação, uma vez que são poucos os CPGs de Música, principalmente na década de 80, e também há um número reduzido de vagas.
A verificação da produção levando em conta as regiões geo-econômicas do Brasil, aponta para um quadro em parte já conhecido. A maior produção foi da região sudeste (29 pesquisas), seguindo-se a região sul (17 pesquisas) e as regiões centro-oeste (7 pesquisas) e nordeste (3 pesquisas). Esses dados devem estar ligados ao fato de que é na região sudeste e sul onde está localizada a maioria dos cursos de pós-graduação em Educação. Interessante é notar que o estado brasileiro que apresentou o maior número de pesquisas de Música/Educacão Musical foi o Rio de Janeiro (16 pesquisas), depois São Paulo (12 pesquisas) e Rio Grande do Sul (11 pesquisas).
Apresentamos aqui sugestões para a continuidade dos estudos relativos à pesquisa discente nos CPGs brasileiros, no que diz respeito à Educação Musical. Primeiramente sugerimos que estes estudos sejam complementados periodicamente, como fazem as Associações de Pesquisa, daí apelarmos aqui para a boa vontade dos coordenadores dos CPGs, facilitando e se comprometendo com o fornecimento regular de listas e resumos das pesquisas feitas por discentes.
Faz-se necessário, também, um apelo às associações nacionais de pesquisa e pós-graduação, ANPPOM e ABEM, para que se elabore um sistema de memória e registro da produção discente, docente, e, quem sabe, como faz a ANPED, a elaboração periódica de um CD-rom que conste da produção discente e de um index de revistas e anais.
Importante é também, aqui, apontar para a indicação de futuras pesquisas que envolvam a produção científica brasileira na Educação Musical.
a) Muitos músicos e professores de música já desenvolvem pesquisas em cursos de pós-graduação em Educação. Isso acontece também em outras áreas. Assim, sugere-se obrigatoriamente que outros estudos possam ser feitos, apresentando e discutindo a produção discente, no que se refere à Música/Educação Musical, em CPGs de Comunicação, Filosofia, História, Psicologia e Sociologia, para que pudéssemos, aos poucos, conhecer e entender o campo da Educação Musical no Brasil, pelo menos na parcela que diz respeito à produção discente dos CPGs brasileiros, uma vez que, mesmo conhecendo que existe produção em cursos no exterior, sabemos que é impossível conhecê-la na íntegra.
b) Indo além, e vislumbrando um futuro
ideal, sugerimos que os pesquisadores brasileiros elaborem mais Estados
da Arte, um vez que eles são preciosos para qualquer pesquisa, para
ajudar a contextualizar o problema, e, por sua vez, são raros no
Brasil, ou seja, segundo Alves-Mazzotti & Gewandsznajder (1998) os
pesquisadores brasileiros, ao contrário dos norte-americanos, não
se interessaram, ainda, pela elaboração de Estados da Arte.
Nota do Autor
1 Parte deste artigo foi retirada na tese de doutorado não publicada: Análise da Didática da Música em Escolas Públicas da Cidade do Rio de Janeiro. José Nunes Fernandes. Faculdade de Educação/UFRJ, 1998 volta
2 Os Doutorados em Música e Educação Musical são muito novos, não têm ainda uma produção significativa e nem estudos que mostrem essa produção volta
3 PALOMERO, Nuria Machado. A prática de musicoterapia : buscando caminhos para sua implementação e análise. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de São Carlos. ORIENTADOR(A): VIEIRA, Therezinha. DATA DE DEFESA: 03/94 volta
4 CARVALHO SOBRIHO, João Berchmans de. O Pagode no Terreiro: um estudo de uma manifestação cultural do Médio Parnaíba Piauiense. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal do Piauí. ORIENTADOR(A): ALBUQUERQUE, Luiz Botelho. DATA DE DEFESA: 11.12.97 volta
5 MACHADO, Maria Célia Marques. Heitor Villa-Lobos : ação e criação diante do duplo enfoque de preservação e renovação da cultura (1922-1959). Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal do Rio de Janeiro. ORIENTADOR(A): NEVES, José Maria. DATA DE DEFESA: 24.06.82 volta
6 ZACHAROW, Eunice Lukaszewski. A música funcional e suas implicações no ambiente de trabalho. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal do Paraná. ORIENTADOR(A): PAVÃO, Zélia Milleo. DATA DE DEFESA: 1985 volta
7 Em algumas citações aparece somente o ano da defesa, pois estava assim nos originais volta
8 Duas dissertações foram defendidas no Instituto de Estudos Avançados em Educação (IESAE). Esta istituição pertencia à Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, e foi extinta no início da década de 90. O acervo se encontra no PROEDES/Faculdade de Educação da UFRJ volta
9 No catálogo da ANPED
aparece como JAYME, Maria Helena volta
Referências Bibliográficas
-Alves-Mazzotti, Alda Judith & Gewandsznajder, Fernando. O Método nas Ciências Naturais e Sociais. SãoPaulo, Pioneira, 1998.
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- Souza, Jusamara. "A pesquisa em Educação Musical". Anais do X Encontro da ANPPON. Goiânia, 1997, p.49-53.
- Ulhôa, Marta (Org.) "Dissertações de Mestrado defendidas nos cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu em Música e Artes/Música até dezembro de 1996". Opus, , v.4, n.4. Rio de Janeiro, ago. 1997, p.80-94.
-Ward, M.J. "A produção discente dos programas de pós-graduação em educação no Brasil (1982-1991): avaliação e perspectivas". Relatório de Pesquisa. 1993.
José Nunes Fernandes. Mestre em Música (CBM/RJ) e Doutor em Educação (FE/UFRJ), Professor Adjunto do Departamento de Educação Musical do Instituto Villa-Lobos e da Pós-Graduação em Música, Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO). Mestre em Música (CBM/RJ) e Doutor em Educação (FE/UFRJ), Professor Adjunto do Departamento de Educação Musical do Instituto Villa-Lobos e da Pós-Graduação em Música, Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO).<volta>