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Carta do Editor

 

Em 2009 Marlos Nobre comemora 70 anos. É também o ano em que lembramos os 50 anos da morte de Villa-Lobos e os 20 anos da morte de Cláudio Santoro e Lindembergue Cardoso. E em 2009 a OPUS faz 20 anos. Embora a maioria de nós hoje atuando na área tenha entrado mais tarde, senão no mundo da música pelo menos no da pesquisa em música, todos os autores que participaram do número inaugural da OPUS continuam firmes e atuantes, alguns mesmo após a aposentadoria, outros mesmo após um redirecionamento em seus interesses. Em 1989 alguns daqueles autores estavam em início de carreira, numa época em que os cursos de pós-graduação em música eram poucos e as bolsas limitadas. Outros já exibiam um sólido histórico de pesquisas e publicações. Vinte anos depois, o volume 15 da OPUS também apresenta a mesma diversificação em seu índice de artigos, talvez com uma amplitude maior nos enfoques. É bem provável (jamais diríamos com certeza) que em 1989 artigos como os de Brackett e Palombini e do trio Fornari, Manzolli e Shellard não fossem recebidos na Academia de forma tão natural como hoje. Estudos utilizando modelos computacionais para desvendar aspectos da performance musical e estudos abordando segmentos estigmatizados da música popular até poderiam aparecer excepcionalmente durante a década de 1980, mas hoje fazem parte do cotidiano de vários programas de pós-graduação em música no Brasil. Que a Educação Musical permanece como uma das áreas mais fortes e bem-estruturadas fica evidente nos três artigos desse número, abordando aspectos práticos (Moreira), filosóficos (Couto, Santos), sociais e políticos (Fucci Amato) dessa disciplina. Completa o número uma reflexão sobre o sempre-presente problema do armazenamento e catalogação de manuscritos musicais (Faria), uma entrevista com o compositor Sérgio Roberto de Oliveira (Moore), e uma resenha sobre o pertinente livro de Bernard Lehmann (Castro), fazendo uma etnografia da orquestra sinfônica.

Rogério Budasz