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Carta do Editor

Na Assembléia geral realizada no último congresso da ANPPOM, em Curitiba, a atual diretoria foi reeleita para a gestão 2009-2011, mantendo-se também o conselho editorial (executivo e consultivo) da OPUS por mais dois anos. Sendo assim, com este número, os editores da OPUS encerram o seu primeiro mandato na certeza de terem cumprido os objetivos propostos. Evidentemente, sempre há espaço para melhoras, daí o contínuo incentivo para que os colegas brasileiros não apenas permaneçam atualizados com os rumos da disciplina em outros pontos do planeta, mas para que também continuem a lançar um olhar crítico sobre esses mesmos desenvolvimentos externos, sempre procurando caminhos e alternativas sintonizadas com a realidade brasileira. Pelo menos é isso que demonstram os autores dos diversos artigos apresentados nesse segundo número do volume 14 da OPUS. O número abre com uma entrevista comentada abordando a carreira pedagógica do mestre Paulo Bosísio, preparada por seus discípulos Guilherme Romanelli e Beatriz Ilari e contendo interessantes insights sobre a educação musical instrumental e a avaliação crítica de alguns métodos consagrados. Abrindo a seção de musicologia histórica, o artigo de Mônica Lucas traz uma discussão sobre alguns antecedentes do Romantismo musical alemão no pensamento de Caspar Ruetz, já em meados do século XVIII. Na sequência, Luiz Neto analisa o papel do músico-ator negro no Brasil do século XIX não como vítima de um sistema escravocrata em vias de extinção, mas como um sujeito ativo nas mudanças sociais e artísticas verificadas durante o período. Utilizando ferramentas da musicologia e da performance, o artigo de Edelton Gloeden e Luciano Martins faz uma convincente transição de uma seção para outra, trazendo informações sobre a tradição violonística da transcrição musical ao mesmo tempo em que oferece subsídios para o trabalho com novos repertórios. Uma área de estudos que mereceria atenção maior dos pesquisadores nacionais, a relação corpo-música, é abordada por Rogério Costa em suas reflexões sobre a configuração do ambiente na improvisação musical. Se esse tem sido um dos temas recorrentes na nova musicologia norte-americana, o artigo de Heitor Oliveira apresenta uma revisão dos debates que acompanharam a mudança epistemológica, identificando um processo de acomodação entre pressupostos modernistas e pós-modernistas. O número finaliza com dois artigos explorando possibilidades no campo da educação musical. Enquanto o artigo de César Albino e Sônia Albano retoma o tema da improvisação sob a perspectiva da teoria da aprendizagem significativa de Ausubel, o artigo de Maria Goretti Silva, Marco Antonio Silva e Luiz Albuquerque conta a história recente do Curso de Música da Universidade Federal do Ceará sob uma perspectiva bourdieuiana. Musicologia, performance e educação são, portanto, as áreas exploradas nesse número da OPUS. Contudo, como todas as abordagens apresentam, em certa medida, algum componente interdisciplinar, trazem aspectos de interesse também para leitores de outras áreas da pesquisa em música.

Rogério Budasz