Carta do Editor
O volume 14 da OPUS traz artigos explorando questões e oferecendo novas perspectivas em três áreas da pesquisa em música – música contemporânea, filosofia da música e educação musical. O serialismo não ortodoxo de Cláudio Santoro, um aspecto bastante comentado mas poucas vezes analisado na música brasileira do século XX, é explorado em detalhes por Carlos Almada, enquanto Maristella Cavini estuda a visão pessoal de Marlos Nobre sobre a música tradicional do Recife através de uma análise estrutural e interpretativa de duas danças do 4º Ciclo Nordestino. Completando a seção destinada à música contemporânea, o breve artigo de Fernando Chaib apresenta um panorama sobre o vibrafone na música do século XX, corrigindo e complementando as informações contidas em conhecidas obras de referência. Os três artigos seguintes apresentam pespectivas interdisciplinares, tendo como elemento comum, em maior ou menor grau, aportes derivados da filosofia da música. Lucas Barbosa argumenta que o conceito de unidade na música e nas artes em geral é histórica e culturalmente variável, refletindo e sendo influenciado pelas idéias filosóficas de cada época, e Rita Fucci Amato utiliza as teorias e conceitos de Bourdieu para analisar o papel representado pelo ambiente familiar na formação de músicos populares e eruditos. Após examinar a gênese do conceito de paisagem sonora na música do século XX, Oliveira e Toffolo apoiam-se na fenomenologia e ciências cognitivas para sugerir novos procedimentos para esse gênero de composição. Completam o número dois artigos explorando tendências e apontando caminhos na área da educação musical Ricardo Freire apresenta o resultado de suas pesquisas sobre a adoção de um método de solfejo apropriado à realidade brasileira e Rejane Harder oferece um panorama sobre o ensino do instrumento no Brasil nos últimos anos, oferecendo sugestões sobre possíveis campos de estudo.
Rogério Budasz