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Carta do Editor

A OPUS faz 18 anos em 2007. O chavão é tentador, mas a revista não chega agora à idade adulta. Raimundo Martins, Martha Ulhôa, Sílvio Ferraz e Maria Lúcia Pascoal, editores que por aqui passaram, fizeram trabalho competentíssimo e contribuíram para que a OPUS sempre fosse um dos principais periódicos de música do país. O delicado equilíbrio entre continuidade e novidade vem marcando as transições na OPUS e tem sempre envolvido escolhas: partir do que já está feito ou começar tudo de novo? Cada conselho editorial possuía interesses diversos e maneiras bastante distintas de trabalhar, o que resultava numa “cara” diferente dada à revista a cada gestão, e isso continuará a ocorrer. É difícil, portanto, evitar outro chavão. Ao pretender transformar a OPUS em algo novo, e não simplesmente continuar trilhando os mesmos passos de seus antecessores, os atuais editores acabam por fazer exatamente isso. No aspecto organizacional a OPUS permanece vinculada ao estatuto da ANPPOM, mas os atuais editores buscarão fugir do engessamento provocado pela divisão em sub-áreas, sejam elas as quatro do início dos anos 90 ou mesmo as oito atuais. Alguns dos trabalhos mais originais na musicologia do final do século XX e início do XXI têm surgido em áreas de fronteira, áreas que tem recebido acolhida morna nos últimos congressos da ANPPOM – às vezes pelos próprios pareceristas. Diálogos entre a música e outras disciplinas – a psicologia, a sociologia, a literatura, a lingüistica, os estudos culturais – enfoques da musicologia histórica aplicados aos repertórios “populares” e a etnomusicologia das práticas “eruditas”, são alguns dos muitos exemplos de possibilidades que vêm ganhando espaço. Os atuais editores encorajam a submissão de trabalhos que empurrem as barreiras da disciplina, que dêem aquele passo adiante, seja desenvolvendo novas perspectivas metodológicas, seja proporcionando um diálogo inter e transdisciplinar.

Procurando adequar-se às diretrizes das agências de avaliação e fomento, a OPUS passa agora a ser semestral. Todos os números da OPUS, com exceção do terceiro, estão agora disponíveis online, o que é continuidade do trabalho realizado pelas gestões anteriores, e agradeço aqui a Maria Lúcia Pascoal e Adriana Kayama por terem facilitado a transição. Para este número da OPUS, os editores e consultores selecionaram oito artigos apresentando reflexões originais e aprofundadas nas áreas da estética, musicologia histórica, composição, práticas interpretativas e educação musical. Em breve abriremos nova chamada de trabalhos para o volume 13 número 2. Até lá e uma boa leitura!

Rogério Budasz