[1] O material que serve de base para este texto é resultado do trabalho de alunos do segundo semestre de 2000 da disciplina de Música Popular ministrada no Departamento de Música da UnB. Constou da observação de um Festival Universitário de Música e de encontros com grupos musicais da periferia de Brasília, organizados pela professora.

[2] Madeira; 1999, p.275.

[3]  Cidades satélites são as localidades ao redor do Plano Piloto.

[4]  Dados do último FESTROCK, mega evento que acontece anualmente em Brasília, do aluno Francisco da Chagas que coordenou recentemente um festival de duplas caipiras, e dos grupos de hip-hop que se apresentaram na UnB em 11/2000.

[5]  O Núcleo de Estudos de Músicas Urbanas (NEMUR) foi organizado em Agosto de 2000 com o objetivo de estudar os fazeres musicais do D.F. e tem organizado diversos eventos no sentido de conhece-los.

[6]  Candango é o adjetivo dado ao  habitante de Brasília.

[7]   Retirado do regulamento do festival, distribuído para os CAs.

[8]  Tomo para  analise e diferenciação entre as duas principais tendências no festival,  o parágrafo de Souza, 1999: p.293. Desde sua origem, ainda nos anos 50, o "rock and roll" vem acrescentando aos sistemas culturais da sociedade moderna uma variação considerável de estilos.
Estou considerando todos como uma expressão cultural da juventude urbana.

[9]  Entrevista concedida pelas bandas Feijão de Bandido, Chalé Verde, Choro de Calango e Maya Desnuda.

[10] Michel  Maffesoli é o sociólogo francês que vem procurando entender as mudanças mais recentes da sociedade ocidental. Para ele os anos 80 marcaram a transição definitiva para o que se convencionou chamar pós-modernidade. Vargas,1999: 185.

[11]  Banda D'Fatto.

[12]  Se... dá...dão/ Se...dá... dão/ Quem dá recebe/ pool da corrupção. Banda Pangéia.

[13]  Asencio, 2000: 4.

[14]  O movimento calango teve e tem artistas plásticos, jornalistas e sociólogos que são considerados os "cabeças". Alguns editam fanzines e fazem as capas dos discos da "galera".

[15]  Banda D'Fatto.

[16]  Expressão usada por um jovem quando entrevistado.

[17]  Banda Feijão de Bandido.

[18]  Música me acalma, favorece a concentração, faz esquecer ou lembrar algo. (expressão usada pela platéia do festival)

[19]  A música é veículo de pensamento, ela cria atmosferas, anima e diverte, promove integridade individual. (idem)

[20]  Favorece o estar junto, cria afinidades e promove atividades. Tenho tudo, tenho nada, tenho a música, isso me basta. (idem)

[22]  Periferia, sim, e daí? Rap de Kubano, um dos integrantes do grupo Falso Sistema.

[23]  Me refiro aqui não somente aos grupos religiosos, mas ao próprio teor das letras de rap que pregam  retidão de comportamento e a conquista de um mundo melhor.

[24]  Referindo-se ao movimento do resto do Brasil.

[25]  No  movimento hip-hop, a dança faz parte de um movimento cultural que engloba três expressões básicas: o break enquanto dança, o rap, música falada em ritmo de poesia, uma espécie de repente eletrônico e o graffiti, expressão plástica encontrada nos muros e trens dos grandes centros urbanos.

[26]  Existem também algumas lojas que além de venderem roupas, CDs servem também de encontro para os grupos.

[27]  O grupo de hip-hop é composto de adolescente na faixa entre 14 e 18 anos, enquanto os participantes do grupo de rap já são jovens, alguns já com filhos.

[28]  Prelúdio do rap Metralhadora Ideológica de Nego Dé e Kubano, integrantes do grupo Falso Sistema.

[29]  Fala do líder por ocasião da oficina  que deram no Depto. de Música da UnB.

[30] Metralhadora Ideológica. Rap de Nego Dé e Kubano, integrantes do grupo Falso Sistema.

[31]  A fraternidade entre eles se manifesta no compromisso de sinceridade com relação aos colegas. Neste sentido seus  comportamentos se aproxima muito do conceito de Liminaridade e Comunitas discutido por Turner.  Entre outros aspectos, afirma que os atributos dos seres liminares são ambíguos, não possuindo status e criando entre si um igualitarismo através da camaradagem. Para ele a liminaridade apresenta-se e convive entre dois mundos: o ético, estético e encantado e outro representando a crítica contundente para um mundo sem saída onde o inimigo está sempre à frente. Turner:1974, p.117.

[32]  Esta noite eu sonhei com a Paz. Rap de Nêgo Dé, integrante do grupo Falso Sistema.

[33]  Não podemos nos esquecer de que nos grupos da periferia de Brasília, o baixo poder aquisitivo não os deixa senão dançar e usar a voz.

[34]  Expressão usada por um jovem do grupo de hip-hop quando solicitado a criticar uma coreografia do amigo.

[35]  Me refiro aqui às experiencias de Webern, Schoenberg e Berg com relação ao sistema tonal,  Stockhausen com relação aos sons eletrônicos e aos silêncios e sons concretos de Cage e Schaeffer.