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HISTÓRICO DA ANPPOM

Ilza Nogueira e José Maria Neves, 1999

Em 1987 a Universidade Federal da Paraíba realizou o Simpósio Nacional sobre a Pesquisa e o Ensino Musical, o SINAPEM, com o apoio do CNPq, da CAPES, e da SESU. Fizeram-se representar 12 Instituições de Ensino Superior (UFRGN, UFPB, UFPE, UFAL, UFBA, UFMG, UFU, UFGO, UnB, UNI-RIO, UNESP e UFRGS) e quatro Instituições de Ensino Musical de nível médio (Escola de Música Antenor Navarro/Pb, Fundação de Educação Artística/MG, FUNDARTE/RS,e a Escola de Música de Brasília). O CNPq, a CAPES, a SESu, A Secretaria de Ensino de II Grau (SESG), a Secretaria de Apoio à Produção Cultural (SEAP) do Ministério da Cultura e o Instituto Nacional de Música da FUNARTE também fizeram-se representar.

Este evento promoveu a primeira discussão no país sobre a formação musical brasileira em todos os seus níveis. O SINAPEM propôs uma revisão da legislação pertinenteao ensino musical, e a adoção de um projeto de ensino e pesquisapara a área historicamente localizado, ajustado à diversificaçãodas várias regiões sócio-econômicas do país,comprometido com a prática musical na formação educacionala nível de I e II Graus, e com o desenvolvimento do pensamento científicosobre Música nas IES. O SINAPEM também propôsa criação de uma Sociedade Brasileira de Educaçãoe Pesquisa Musical, propondo-se a congregar as sociedades de pesquisa musicaljá existentes, estimular o desenvolvimento de outras sociedades departamentais congêneres, atuar efetivamente na políticade pesquisa musical junto às agências financiadoras de projetos,e influir no direcionamento das linhas de pesquisa musical no Brasil, afim de atender às carências bibliográfica, fonográficae videográfica características do panorama cultural da época. Esta proposta foi encaminhada em setembro de 1987 à Direçãode Ciências Humanas do CNPq (Professor José Nilo Tavares),recomendando gestões para a criação de uma Sociedadede Pós-Graduados em Música. Este documento resultou na realização da reunião de fundação da ANPPOM em abril de 1988, em Brasília, sob os auspíciosda Coordenação de Ciências Humanas do CNPq. Assinaram a ata desta reunião os seguintes sócios fundadores da ANPPOM: Profa. Alda Oliveira, Profa. Cristina Magaldi, Prof. Estércio MarquesCunha, Profa. Ilza Nogueira, Prof. Jamary Oliveira, Prof. Jorge Antunes, Prof. Manuel Veiga, Profa. Marisa Rezende, Prof. Raimundo Martins. Os sócios fundadores elaboraram os Estatutos e o Regimento Interno da ANPPOM, tendo também decidido que a primeira presidência da ANPPOM ficasse com a Coordenação do SINAPEM, Profa. Ilza Nogueira.

Avaliação

Para melhor avaliarmos a ação política da ANPPOM no desenvolvimento da pesquisa em Música no país, devemos nos reportar às distintas fases pelas quais esse desenvolvimento passou, sempre contando com o apoio inestimável do CNPq. A fase anterior à criação da ANPPOM (1988) foi caracterizada pela abertura típica de uma fase inicial, intencionalmente estimuladora, com projetos os mais distintos, que evidenciavam uma concepção ainda pouco definida sobre a atividade de pesquisa. Após a criação da ANPPOM, inicia-se uma fase restritiva, necessária à condução da área para a compreensão da atividade de pesquisa como estritamente vinculada à geração do conhecimento, e à indução de projetos centrados nos objetivos políticos definidos pela ANPPOM: a valorização das temáticas brasileiras, e a criação de uma bibliografia voltada ao perfil e às necessidades dos nossos cursos de pós-graduação. Com a sedimentação da ANPPOM, apoiada pela crescente atividade da ABEM, estando a área sintonizada com os objetivos perseguidos pelas suas associações, pretende-se a ampliação gradativa do número de pesquisadores credenciados pelas agências de fomento á pesquisa. Para isto, o auxílio dos pesquisadores credenciados na orientação à concepção de novos projetos contextualizados e bem configurados é essencial. Considerando que o a representação da Música no CNPq teve início em 1984, que nessa época a área contava apenas com seis doutores, que o retorno do investimento na formação de doutores no exterior data de 1990, e que a condução de uma área sem tradição em pesquisa é necessariamente lenta, pode-se dizer que a formação de pesquisadores é crescente e regular, em ritmo proporcional à qualificação de recursos humanos.

Diante do exposto, podemos assegurar que a ação da ANPPOM tem sido decisiva para o redimensionamento e a reconfiguração da área, revelando seu perfil científico. No entanto, muito ainda há por fazer pela consolidação da pós-graduação e da pesquisa em Música no país. Para a aceleração do processo, uma aproximação maior entre a ANPPOM, a ABEM e as agências de fomento á pesquisa e pós-graduação é essencial.